Selecionar Exercício
Texto 2
O Parque Marinho Professor Luiz Saldanha (PMPLS) – área marinha do Parque Natural da Arrábida (PNA) – possui uma enorme biodiversidade, embora ao longo do tempo se tenha registado a regressão de algumas espécies de algas castanhas (Kelp) e de plantas (ervas marinhas), resultante da pressão humana na área. O Kelp fixa-se a substratos rochosos e cresce em direção à superfície, formando florestas, enquanto as ervas marinhas formam pradarias, fixando-se aos fundos arenosos com as suas raízes. As florestas de Kelp e as pradarias de ervas marinhas favorecem a dissipação da energia das ondas e das correntes e constituem importantes zonas de proteção, de reprodução e de alimentação para uma grande diversidade de espécies animais, como peixes e invertebrados.
Na baía do Portinho da Arrábida (Figura 1B), devido ao declínio das pradarias, foi implementado um projeto – BIOMARES – de transplante de plantas e de libertação de sementes, nomeadamente da espécie Zostera marina. Atualmente, verifica-se já a recuperação da pradaria, registando-se também elevada densidade de larvas de peixes junto à costa.
Com o objetivo de investigar os efeitos da acidificação do oceano, decorrente da exposição a níveis elevados de pressão parcial de CO₂ (pCO₂), na capacidade reprodutiva de um peixe, Gobiusculus flavescens, que habita o PMPLS, foi realizado o estudo que a seguir se descreve.
– Em março, foi feita a recolha dos peixes, que foram imediatamente transportados para o laboratório e transferidos para um tanque de 100 L, com circulação contínua de água do mar, permanecendo nestas condições durante uma semana para recuperarem da captura.
– Posteriormente, os peixes foram transferidos para tanques de 35 L de capacidade, colocando-se um casal reprodutor em cada tanque. Todos os indivíduos tinham peso e comprimento padrão.
– Todos os casais foram mantidos em condições de temperatura e de salinidade semelhantes às do campo de recolha (≈16 °C e 35 PSU¹), com ciclo de luz de 14 horas, e foram alimentados, duas vezes por dia, com um pequeno crustáceo, Artemia nauplii.
– Em nove tanques, os peixes foram submetidos a pCO₂ na água de ≈ 600 μatm e pH ≈ 8,05 – tratamento controlo.
– Em outros nove tanques, os peixes foram sujeitos a pCO₂ na água de ≈ 2300 μatm e pH ≈ 7,60 – tratamento com pCO₂ elevada.
– Os dezoito tanques foram cobertos com tampas de vidro. Os níveis de oxigénio foram mantidos acima de 90% de saturação, por agitação através de uma bomba de difusão nos tanques.
– Em cada tanque instalou-se um tubo, para servir de abrigo e de local de postura, e uma maternidade para o desenvolvimento das larvas.
– Os peixes foram mantidos nas referidas condições até à época de reprodução, que decorre de abril a julho.
Os resultados são apresentados nos Gráficos I, II, III e IV.
Nota:
¹ PSU – A Unidade de Salinidade Prática, usada em oceanografia, é determinada com base na relação entre a condutividade elétrica da água e a sua salinidade.
Questão:
Compare os resultados do estudo relativamente aos seguintes aspetos:
– média de posturas por casal;
– comprimento das larvas.
Comentários
Neste momento, não há comentários para este exercício.
Para comentar, por favor inicia sessão ou cria uma conta.