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Parte A:
Ah, que maçada o piano
Eternamente a tocar
Lá em cima, no outro andar!
Ah, que tristeza o cessar!
Sempre era gente a tocar!
Sempre tinha companhia
Nessa constante arrelia.
Vizinha, se não morreu,
Que aquele piano seu
Volte de novo a maçar!
Sem ele penso e sou eu,
Com ele esqueço a sonhar...
Má música? Sim, mas há
Até na música má
Um sentimento de alguém.
Não sei quem o sente ou dá,
Não sei quem o dá ou tem.
Não deixe de me maçar
Com o contínuo tocar
Do seu piano frequente.
Ah, torne-me a arreliar
E mace-me eternamente!
A quem é só, tudo é mais
Que o que está naquilo que é.
Notas falsas, desiguais —
Não se importe: a minha fé,
Meu sonho, vão a reboque
Do que toca mal e até
Do piano, do não sei quê...
Toque mal; mas toque, toque!
Fonte:

Fernando Pessoa, Poesia do Eu, edição de Richard Zenith, 2.ª ed.,Lisboa, Assírio & Alvim, 2008, pp. 313-314

Questão:
Refira três das marcas linguísticas que, a partir da terceira estrofe, sugerem a existência de um diálogo e
transcreva um exemplo de cada uma dessas marcas.
Fonte: Exame Português - 2017, Época Especial
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