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Contexto:

Título: David Melgueiro: na rota da lendária viagem do navegador português pelo Ártico


Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães são nomes de grandes
navegadores portugueses que muita gente tem na ponta da língua. E David Melgueiro?
Praticamente ninguém ouviu falar deste navegador que, segundo escassa documentação
histórica, terá sido o primeiro a aventurar-se na travessia das águas geladas do Ártico
através da Passagem do Nordeste, entre 1660 e 1662. Mais de 350 anos depois, um projeto
ambicioso que pretende seguir o rasto dessa viagem lendária, entre 2016 e 2017, inclui a
construção de um veleiro destinado ao serviço da comunidade científica.
A ideia é de José Mesquita, antigo comandante da marinha mercante, que acaba de criar
a Associação David Melgueiro, em Peniche.
«O objetivo deste projeto é dar à sociedade civil portuguesa um instrumento para a
investigação científica, acessível às universidades, com custos relativamente baixos e
benefícios grandes. O navio pode ser utilizado pelas empresas e pelas universidades como
plataforma de ensaio de novas tecnologias, novos produtos e novos materiais», diz José
Mesquita.
Se tudo correr bem, no segundo trimestre de 2016 terá chegado o momento da grande
aventura, a expedição Marborealis, para seguir os passos de David Melgueiro.
Diz-se que David Melgueiro, ao serviço da Marinha holandesa, partiu do Japão em
1660, ao comando do navio Padre Eterno. Carregado de riquezas orientais, especiarias e
passageiros, terá decidido trocar as voltas aos piratas e a outros possíveis atacantes vindos
de vários países europeus em guerra. Em vez de navegar do Japão para sul, indo até ao
cabo da Boa Esperança, dirigiu-se para norte, até ao estreito de Bering. Terá, então, passado
do oceano Pacífico para o Ártico e, daí, terá descido até ao Atlântico, primeiro até à Holanda,
depois, já noutro navio, até Portugal. Essa rota pelo Ártico, junto ao Norte da Sibéria, é
conhecida como a Passagem do Nordeste.
A ter acontecido assim, David Melgueiro foi o primeiro a fazer a travessia da Passagem
do Nordeste. Mas os louros desse feito ficaram com outro navegador, o sueco-finlandês Erik
Nordenskiöld, que se considera ter atravessado a Passagem do Nordeste mais de 200 anos
depois, em 1878.
Mas de onde surgiu a ideia de que David Melgueiro foi quem se aventurou primeiro pelas
águas geladas da Passagem do Nordeste? Diz-se que, no Porto, Melgueiro contou a viagem
a um marinheiro francês, que, por sua vez, a contou a um diplomata e espião francês em
Portugal, chamado La Madeleine, que depois a contou a um ministro francês. «Isto criou
uma lenda», resume José Mesquita, acrescentando que a viagem pode ter sido envolta em
secretismo pela própria Holanda.
Uma descrição dessa viagem encontrava-se na Holanda e na Biblioteca Nacional de
França, segundo Carlos de Faria e Maia, membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, que
mencionou esse facto num artigo da Gazeta dos Caminhos de Ferro, em 1941.
Além dessa descrição antiga (acerca da qual, na verdade, os relatos só dizem que existe,
sem referirem o que lá está efetivamente escrito), estudos atuais sobre as alterações climáticas
e a variabilidade do clima revelaram que os anos da expedição de David Melgueiro foram
bastante quentes no Ártico. Portanto, é plausível que a Passagem do Nordeste estivesse livre
de gelo, o que permitiria a sua travessia. «Isto cria uma possibilidade efetiva de que a lenda de
David Melgueiro não tenha sido só uma lenda.»
Fonte:

Teresa Firmino, Público, 9 de abril de 2014 (adaptado)

Questão:
Identifica o antecedente do pronome «a» em «a contou» (linha 31).
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2015, 1ª Fase

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