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Dificuldade: díficil
A herança árabe na Península, bem como a literatura de maravilhas, nada, ou pouco,
ofereciam de estimulante para se atravessar o oceano medonho e se chegar ao cabo da
Boa Esperança.
Contra esse medo reagiram os marinheiros portugueses; e o conjunto de lendas e
superstições que a imaginação criara a partir do mundo desconhecido, aos poucos, seria
desmistificado no contacto com a realidade.
O marinheiro quatrocentista não podia deixar de sentir o mistério que envolvia tais
lendas. Se aprendeu a recusá-las, foi à custa de uma experimentação contínua. Por
isso, ultrapassou o Bojador, zona limite do medo e da antiga fama da impossibilidade de
navegar, para transpor esse mesmo medo para o cabo da Boa Esperança.
De entre as variadas gentes que faziam a carreira da Índia, os roteiristas eram os que
melhor sentido prático tinham das ocorrências possíveis no cabo da Boa Esperança.
Socorriam-se de indicações que lhes poderiam dar a proximidade e o bom ou mau tempo
daquele Cabo: pela presença de certas aves e peixes, pela coloração das águas, pelas
plantas marinhas, pelos destroços flutuantes, pelos insetos, pela tonalidade do céu
na previsão de tempestades. A isto, chamavam sinais, que eram registados em vários
momentos nos seus diários de navegação.
De sentido apurado sobre a natureza, sabendo os perigos que desta podiam advir
devido às suas mutações, os roteiristas, ainda longe do cabo da Boa Esperança,
tomavam providências para o passar da melhor forma. As representações imaginativas
do medo eram, neste caso, positivas, porque conduziam a atenção para o perigo, levando
à prevenção perante futuras situações ameaçadoras.
A experiente observação não impedia, contudo, alguns roteiristas de verem, como
sinal do Cabo, o mar a ferver, ou de as águas noturnas lhes parecerem «fogueiras de fogo
ardendo». Lembramos que estes marinheiros, embora modernos na sua experimentação,
em alguns casos, eram ainda medievais no pensamento.
Fonte:

José Manuel Correia, «Medos e visões dos mareantes na passagem do cabo da Boa Esperança»,
in Oceanos, n.º 3, março de 1990, pp. 78-80. (Texto adaptado)

Questão:
Relê o quarto parágrafo.
Assinala com X as três opções cujo sujeito se refere a «os roteiristas» (linha 11).
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2022, 1ª Fase


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