?
?
Cria conta para teres acesso a vídeos, estatísticas do teu progresso, exercícios originais e mais!
Dificuldade: por definir

Contexto:

Lê o texto.

Título: Livros ao deitar


Fomos ao encontro de dois escritores e de uma ilustradora que tiveram o privilégio
de ouvir histórias antes de se embrenharem no mundo dos sonhos. Contaram-nos a sua
experiência e a importância deste hábito precoce.
Provavelmente, muitos de nós passámos por uma fase inicial de escuta de literatura lida
pelos pais na hora de deitar. Muitas dessas histórias passaram a fazer parte de um imaginário
infantil, sendo depois catapultadas para a vida adulta, ensinando não só a mergulhar no mundo
da literatura mas também influenciando a forma como nos relacionamos com as histórias.
José Jorge Letria nunca esqueceu o tom nem o humor que a mãe usava ao narrar-lhe
lendas e mitos. A mãe de Catarina Sobral lia-lhe quase todas as noites. Maria Teresa Maia
Gonzalez ouvia atentamente as histórias que o pai contava à mesa de jantar. Episódios assim
marcaram estes autores na forma como posteriormente deram azo às histórias por eles
escritas ou ilustradas.
Os tempos eram outros, o movimento editorial era pobre e com poucas alternativas,
mas foi assim que José Jorge Letria se deparou com os contos de Andersen e com contos
portugueses tradicionais. «Tudo contribui, de forma mais ou menos intensa, para despertar
o nosso interesse e a nossa curiosidade intelectual. Eu não escapei a essa regra de ouro.
Ensinaram-me que o livro e a leitura eram paixões de que não me afastaria.»
Maria Teresa Maia Gonzalez enveredou pela escrita de histórias infantis e juvenis devido
a uma memória cheia de afetos que a ligam à infância, sempre muito presente. Com várias
dezénas de livros editados, foi através de A Lua de Joana que ficou conhecida. O pai tinha
uma predileção pelas aventuras de Júlio Verne, o que a levou a lê-las de fio a pavio; a mãe
gostava de livros que se relacionassem com a natureza e tinha um gosto especial pelas
fábulas. «Lembro-me que algumas me faziam impressão, muitas são dramáticas e trágicas»,
conta a escritora.
Catarina Sobral optou por seguir o mundo da ilustração e lembra-se que os livros que mais
a influenciaram quando pequena foram Alice no País das Maravilhas, Huckleberry Finn, Tom
Sawyer, João Sem Medo e O Principezinho. «Todos eles são livros fora da norma, com boas
doses de loucura. Talvez por isso tenham ficado retidos na memória».
A infância é uma fase determinante para formar adultos interessados no saber. A experiência
das palavras e dos mundos que se abrem acaba por despertar o entusiasmo pela leitura.
«Podemos tornar-nos leitores compulsivos, mesmo que os nossos pais o não sejam, mas
dificilmente acontece o contrário», contou Catarina. A ilustradora gostava especialmente de
aventuras. Começou com Enid Blyton e depois Júlio Verne, seguindo-se Cervantes. A sua
apetência pelo desenho nunca desapareceu: «Quando começamos a aprender a escrita,
vamos desaprendendo o desenho. Às vezes, chega-se mesmo a parar de desenhar (embora
nunca se pare de escrever). Eu nunca parei de desenhar.»
A personalidade humana forma-se muito cedo e tudo o que acontece nessa altura é
fundamental para moldar o carácter e a forma como se vai encarar o mundo. «Tudo o que nos
fortalece a memória e o referencial cultural acaba sempre por apoiar o nosso trabalho criativo
como escritores», explica José Jorge Letria.
Fonte:

Elsa Garcia, Estante, n.º 5, 2015 (adaptado)

Questão:
Identifica o antecedente do pronome «a» na expressão «o que a levou» (linha 21).
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2016, Época Especial

Escreve a tua resposta aqui:


Comentários

Neste momento, não há comentários para este exercício.

Para comentar, por favor inicia sessão ou cria uma conta.