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Dificuldade: média
Parte TEXT B:
Familiarizado com um processo de criação que tem o computador como centro, o
leitor contemporâneo mal consegue imaginar o que estava por detrás da feitura de um
livro no século XVI. Escrito à mão, em folhas de papel de textura bem mais grosseira
do que aquela a que hoje estamos habituados, os caracteres¹ eram desenhados com
uma pena alimentada a tinta, que ia do sépia² ao azul e ao preto. Escrevia-se então
a um ritmo bem mais lento do que depois se viria a escrever. De todo esse trabalho
árduo e meticuloso, resultava um manuscrito volumoso, a requerer especiais cuidados
de conservação, na medida em que podia ser irremediavelmente afetado pela humidade
ou pelo fogo.
Por todos esses motivos, o processo criativo de uma obra como Os Lusíadas teve de
se desenrolar ao longo de muitos anos. Porque o texto demorou muito tempo a escrever,
desde logo; mas porque é certo que demorou também muito tempo a pensar. Muito
provavelmente, entre a ideia original do poeta e aquele que viria a ser o resultado saído
dos prelos de António Gonçalves³, ocorreram transformações importantes de forma e de
substância. Talvez Camões, ainda em Lisboa, tenha começado por querer escrever em
verso apenas a viagem descobridora de Vasco da Gama, ocorrendo-lhe depois agregar
a História de Portugal. É possível que o plano inicial não contemplasse, pelo menos
com tanto destaque, alguns episódios que nos habituámos a considerar como partes
obrigatórias do poema; outros podem até ter resultado de aditamentos⁴ de última hora.
Por outro lado, seria estranho que Camões se tivesse limitado a escrever apenas as
estâncias que acabou por incluir no poema; o mais provável é que, antes da entrega do
manuscrito (e após longo e difícil exame de consciência), o poeta tenha procedido a uma
escolha autocensória⁵, ditada por motivos de ordem estética, moral ou ideológica.
Fonte:

José Augusto Cardoso Bernardes, A Oficina de Camões. Apontamentos sobre Os Lusíadas, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2022, pp. 25-27. (Texto com supressões)

Notas:
  1. caracteres – sinais (letras, algarismos, sinais de pontuação, etc.), figuras ou símbolos usados na escrita. 2. sépia – cor acastanhada. 3. prelos de António Gonçalves – máquinas da tipografia de António Gonçalves, onde foi impressa a primeira edição de Os Lusíadas. 4. aditamentos – acrescentamentos. 5. autocensória – que resulta de autocensura, ou seja, do exame crítico de um indivíduo sobre a sua própria obra.
Questão:
Na frase das linhas 15 a 17, ao colocar uma hipótese sobre Camões, o autor usa a forma verbal «tenha começado», que se encontra conjugada no
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2024, 1ª Fase
A futuro simples do conjuntivo.
B pretérito perfeito do conjuntivo.
C pretérito imperfeito do conjuntivo.
D futuro composto do conjuntivo.


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