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Dificuldade: média
A linguagem humana, baseada em símbolos, é inseparável da autoconsciência, pelo
menos no sentido de que a única espécie de animais plenamente conscientes de si próprios,
a nossa, é também a única espécie simbólica e linguística. Pelo mesmo motivo, ficamos sem
resposta à pergunta de saber se pode existir raciocínio sem a linguagem humana (o contrário é
impossível). É difícil ir mais longe, mas também é difícil imaginar uma espécie em que as duas
propriedades, a comunicação baseada em símbolos e o pensamento racional, não estejam
unidas. Pode raciocinar-se sem palavras? Não é o pensamento, precisamente, um monólogo
interior?
Todos os animais comunicam entre si, mas só nós é que o fazemos por meio de símbolos,
ou seja, de símbolos arbitrários (fruto do capricho e da invenção) que só são entendidos
pela comunidade que os usa e que são incompreensíveis para os restantes, porque não são
universais como os instintos. O mesmo é válido tanto para os sons (fonemas) que significam
alguma coisa (uma palavra falada), como para uma estrela de cinco pontas no código militar,
a borla dos doutorados numa cerimónia académica ou a aliança de casamento na vida social
(pelo menos no Ocidente). Nenhum destes sinais está inscrito no nosso genoma. Para codificar
conceitos, um objeto de adorno é o mesmo que um ritual fúnebre, uma obra de arte ou um
idioma (os objetos de adorno e a arte paleolítica não se criaram para causar uma impressão
estética no observador, ou não apenas para isso, mas para comunicar e partilhar ideias).
Cada um de nós, seres humanos, utiliza o nosso idioma, o da nossa comunidade linguística,
quando mantemos conversas digitais, em chats, mas recorremos com frequência, o que é
curioso, aos emoticons para conseguirmos que realmente nos compreendam. E estes ícones
são internacionais e valem para todos os países. Não estão em inglês, espanhol, árabe ou
chinês. Sem os emoticons perdem-se nuances importantes, como a ironia, o enfado, a simpatia,
a cumplicidade, o amor, o humor, o pesar, etc. São os melhores veículos, mais eficazes e mais
seguros, para transmitir emoções, mais do que as palavras escritas. Substituem as inflexões
do tom de voz e a linguagem corporal que se perdem num chat. Ninguém é capaz de estar a
falar durante muito tempo num tom neutro sem mexer um músculo, numa conversa em pessoa.
Olhe, leitor, para um quadro de emoticons. Verá que muitos deles correspondem a
expressões faciais. Toda a gente os percebe, talvez por se terem generalizado com o uso
dos telemóveis e de outros dispositivos, mas também, seguramente, porque fazem parte do
património biológico da espécie e estão, como se costuma dizer, nos nossos genes (todos os
seres humanos choram quando estão tristes). Pode ver-se assim como a biologia e a cultura
convivem e se complementam nos seres humanos. Cada comunidade fala o seu idioma (a
cultura), mas todos usamos os mesmos emoticons (a biologia).
Fonte:

Juan Luis Arsuaga, Vida, a Grande História – Uma Viagem pelo Labirinto da Evolução, Lisboa, Temas e Debates, 2021, pp. 450-451.

Questão:
Todos os constituintes sublinhados desempenham a função sintática de complemento do adjetivo, exceto em
Fonte: Exame Português - 2023, Época Especial
(A) «incompreensíveis para os restantes» (linha 11).
(B) «espécie de animais» (linha 2).
(C) «inseparável da autoconsciência» (linha 1).
(D) «conscientes de si próprios» (linha 2).


Comentários

Rúben Gonçalves
Criado em 17/07/2025 09:05

Não está nada sublinhado!

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