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Dificuldade: fácil
Lê o texto e as notas.
Parte A:
O ato da escrita permaneceu associado à oralidade pelo menos até ao século XV:
eram bastante numerosos os copistas e secretários que desempenhavam a função
de registo por escrito, seguindo as instruções orais dadas pelo senhor que serviam.
O verbo escrever nem sequer era utilizado para designar a ação do criador literário,
sendo compor a forma verbal que mais frequentemente denotava a feitura de livros.
Até finais do século XVI, muitos textos continuaram a apresentar indícios¹ de que
se tratava de composições que se destinavam a serem lidas oralmente perante um
auditório, numa época em que a maioria da população era iletrada e a leitura silenciosa
estava ainda numa fase de afirmação.
Logo a partir do século XV, registaram-se transformações importantes no domínio
da arte da escrita: generalizou-se a escrita cursiva gótica², logo seguida de outras formas
de mais fácil utilização, as quais muito concorreram para converter o ato de redação em
algo de mais «descontraído», ao mesmo tempo que potenciaram a sua privacidade.
Esta alteração foi provavelmente catalisada³ pelo ambiente escolar, que exigia o recurso
a uma técnica de registo (e de leitura) mais rápida e expedita⁴.
A introdução do papel como suporte de registo constituiu mais um passo no sentido
do avanço da escrita como forma de comunicação, passando esta a ser utilizada
de um modo cada vez mais extensivo e quotidiano na sociedade daquele tempo.
Contudo, a mudança verdadeiramente decisiva ocorreu após 1455: os caracteres⁵
móveis introduzidos por Johannes Gutenberg difundiram-se por toda a Europa a uma
velocidade alucinante.
A imprensa de Gutenberg conferiu ao texto escrito uma decisiva homogeneização
gráfica, acelerando o ato da leitura e colocando o sentido da visão em primeiro plano,
relegando a capacidade auditiva para um nível secundário. Doravante, a informação
passava a chegar através de um só canal, e, pela primeira vez, dispunha-se de um texto
«invariável», reproduzido às centenas ou aos milhares, escapando às faltas e aos erros
provocados pelo cansaço ou pela ignorância dos copistas.
Fonte:

Pedro Cardim, «Livros, literatura e homens de letras no tempo de João de Barros», in Oceanos, n.º 27, julho/setembro de 1996. (Texto adaptado)

Notas:

1  indícios – marcas; vestígios. 2 escrita cursiva gótica – tipo de letra manuscrita usada na época medieval. 3 catalisada – estimulada. 4 expedita – eficiente; eficaz. 5 caracteres – letras impressas.

Questão:
Os dois pontos usados nas linhas 1, 11 e 19 introduzem
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2019, 1ª Fase
A. uma explicação.
B. uma citação.
C. uma enumeração.
D. uma conclusão.


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