?
?
Cria conta para teres acesso a vídeos, estatísticas do teu progresso, exercícios originais e mais!
Dificuldade: média
O conceito de cultura científica é o mais vasto e o mais complexo. A cultura científica não
consiste apenas na capacidade de ler o mundo à nossa volta e de sabermos orientar-nos
nele, nem consiste apenas na aquisição de conhecimentos científicos, como pretende o Public
Understanding of Science.
A cultura científica é um capital que nos permite não apenas ler, mas usufruir do mundo,
não apenas conhecer, mas manipular as ideias produzidas pela ciência, perceber as
potencialidades e os riscos e as limitações da ciência, relacionar os conhecimentos da ciência
com outros saberes e culturas e integrá-los numa visão coerente e enriquecedora do mundo,
e encarar a ciência sem a mínima atitude de servidão ou sequer de reverência, mas apenas
com curiosidade, emoção e sentido de responsabilidade.
A promoção da cultura científica visa dar à ciência o mesmo estatuto que possuem saberes
como a literatura ou a música: garantir a todos a capacidade para o seu usufruto, as condições
para a sua apropriação e as ferramentas para o seu controlo.
A cultura científica exige conhecimentos sobre a ciência, mas não conhecimentos
disciplinares. Trata-se de conhecimentos sobre a forma como a ciência progride, nunca
linearmente, mas com correções e desvios constantes; sobre a necessidade de hipóteses,
de experiências, de confirmações e de desilusões; sobre a importância da imaginação e da
excentricidade; sobre o valor da diferença e a importância do trabalho em equipa; sobre a
importância do debate vivo e aberto; sobre as regras e os limites do método científico; sobre
a banalidade do erro, a frequência dos enganos, os inevitáveis enviesamentos e as humanas
fraudes, que existem tanto na ciência como em qualquer outra atividade humana; sobre a
objetividade da ciência, mas também sobre o papel da subjetividade nas suas conclusões;
s sobre a intemporalidade da ciência, mas também sobre a forma como cada época gera as
suas verdades provisórias; sobre a universalidade da ciência, mas também sobre a forma
como o contexto molda os consensos que constituem a «verdade científica».
A promoção da cultura científica nada tem a ver com a promoção da ciência. Promover a
cultura científica é promover este olhar e estimular o diálogo, alimentar o pensamento crítico e
a capacidade de fascínio com a descoberta, afastar o receio de questionar e ensinar-nos que
é lícito ver algo diferente do que todos os outros à nossa volta veem e sempre viram.
Promover a cultura científica não é ensinar ciência – embora também o seja –, sendo
fundamentalmente aproximar os cidadãos da ciência e familiarizá-los com os cientistas, com a
sua atividade, e estimulá-los a questionar não só o mundo, mas a própria ciência.
Fonte:

António Granado e José Vítor Malheiros, Cultura Científica em Portugal: Ferramentas para Perceber o Mundo e Aprender a Mudá-lo,Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2015, p. 19 (adaptado)

Questão:
Nas expressões «sabermos orientar-nos» (linha 2) e «que nos permite» (linha 5), os pronomes pessoais desempenham as funções sintáticas de
Fonte: Exame Português - 2017, 1ª Fase
(A) complemento direto e de complemento indireto, respetivamente.
(B) complemento indireto e de complemento direto, respetivamente.
(C) complemento indireto, em ambos os casos.
(D) complemento direto, em ambos os casos.


Comentários

Neste momento, não há comentários para este exercício.

Para comentar, por favor inicia sessão ou cria uma conta.