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Nota prévia: Rómulo de Carvalho (1906-1997), professor e cientista, publicou a sua obra poética sob o pseudónimo António Gedeão.

Título: Memórias de Rómulo


No princípio, a poesia foi, para Rómulo de Carvalho, a expressão íntima de uma inadaptação
à vida, um solitário desabafo. Tinha trinta anos, passava para o papel o que sentia, para depois
destruir o que escrevia. Só mais tarde viria a publicar os primeiros poemas, que reuniu em seis
volumes, sob pseudónimo¹. Assim nasceu, em 1956, António Gedeão, cinquenta anos depois
de nascer, em Lisboa, o professor, o pedagogo², o autor de manuais escolares, o historiador,
o investigador e o físico que deu vida ao poeta.
O livro inédito de memórias, editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, com mais de 500
páginas, junta a história de uma vida a um retrato da sociedade e do país no século XX. Trata-se
de um testemunho, por vezes irónico, de um observador atento e crítico, cuja vida começou
ainda na Monarquia, atravessou a I República, depois a ditadura, e assistiu à revolução do 25
de Abril, terminando num país em democracia.
«A visão que ele tinha da vida e do mundo já estava refletida na sua poesia», diz o filho,
Frederico Carvalho. Agora, em Memórias, «estão os sinais, as raízes daquilo que ele escreve
nos poemas». Quem conhece a poesia reconhecerá no livro a essência dessa visão do mundo,
desta vez em prosa. E quem o conheceu no seu percurso multifacetado de professor, escritor
e investigador «encontrará aqui a chave da sua personalidade, a chave do homem» que foi
Rómulo de Carvalho, considera o filho.
Escolheu a profissão de professor para ver nos olhos dos jovens o entusiasmo e a surpresa
de aprenderem coisas novas, conta Frederico Carvalho. E tudo o que fez «foi por amor»,
sintetiza. Além de professor, foi um dos diretores da Gazeta de Física, da Sociedade Portuguesa
de Física, codiretor da revista Palestra, do Liceu Pedro Nunes, e membro da Academia das
Ciências de Lisboa. Publicou livros sobre História da Ciência e de divulgação científica, nos
quais tentava responder às perguntas mais simples, para dar a perceber o mundo de forma
concreta e acessível a todos.
Através da escrita e da investigação, conciliou os dois mundos que dizia serem tidos
por quase todos como distintos e distantes – o da Ciência e o das Letras. Pertenceu a um
século, ele próprio o notou, marcado pelo progresso da Ciência. E foi reconhecido por vários
quadrantes da sociedade, sem de nenhum deles fazer parte de forma exclusiva.
Em Memórias, reflete sobre os tempos em mudança e projeta essa reflexão, numa adivinha
constante de como serão a vida e o mundo na época dos tetranetos – os filhos dos netos dos
atuais cinco netos.
Logo na introdução, Rómulo de Carvalho explica que vai escrever as memórias para as
dedicar aos seus «queridos tetranetos», que, ao mesmo tempo, simbolizam pessoas que só
as poderiam ler num futuro muito longínquo. Esse é, para Frederico Carvalho, o sinal de um
desejo do pai, embora nunca manifestado, de ter as memórias publicadas, sim, mas depois
da sua morte.
Fonte:

Ana Dias Cordeiro, Público, 21 de dezembro de 2010 (adaptado)

Notas:

1 pseudónimo – nome adotado, geralmente por um escritor ou por um artista, em substituição do nome original.2 pedagogo - pessoa que estuda e desenvolve teorias sobre a educação e o ensino.

Questão:
A palavra que permite substituir «quadrantes», sem alterar o sentido da expressão «quadrantes da sociedade» (linha 28), é
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2016, 2ª Fase
(A) instrumentos.
(B) elementos.
(C) sectores.
(D) pilares.


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