?
?
Cria conta para teres acesso a vídeos, estatísticas do teu progresso, exercícios originais e mais!
Dificuldade: média
Definido ao longo do tempo pela ação humana, o património cultural, longe de se submeter
a uma visão estática e imutável, tem de ser considerado como um «conjunto de recursos
herdados do passado», testemunha e expressão de valores, crenças, saberes e tradições
em contínua evolução e mudança. O tempo, a História e a sociedade estão em contacto
permanente. Nada pode ser compreendido e valorizado sem esse diálogo extremamente rico.
Usando a expressão de Rabelais, estamos sempre perante «pedras vivas», já que as «pedras
mortas» dão testemunho das primeiras. O património surge, nesta lógica, como um primeiro
recurso de compromisso democrático em prol da dignidade da pessoa humana, da diversidade
cultural e do desenvolvimento durável. E constitui um capital cultural resultante do engenho
e do trabalho de mulheres e homens, tornando-se fator de desenvolvimento e incentivo à
criatividade.
Quando falamos de respeito mútuo entre culturas e das diversas expressões da criatividade
e da tradição, estamos a considerar o valor que a sociedade atribui ao seu património cultural
e histórico ou à sua memória como fator fundamental para evitar e prevenir o «choque de
civilizações», mas, mais do que isso, para criar bases sólidas de entreajuda e de entendimento.
Impõe-se, deste modo, o reconhecimento mútuo do património inerente às diversas tradições
culturais que coexistem no continente e uma responsabilidade moral partilhada na transmissão
do património às futuras gerações. E não esqueçamos o contributo do património cultural para
a sociedade e o desenvolvimento humano, no sentido de incentivar o diálogo intercultural,
o respeito mútuo e a paz, a melhoria da qualidade de vida e a adoção de critérios de uso
durável dos recursos culturais do território. Daí a importância da «cooperação responsável»
na sociedade contemporânea, através da ação conjugada dos poderes públicos, do mundo da
economia e da solidariedade voluntária.
Perante a exigência do reconhecimento mútuo do património inerente às diversas tradições
culturais que coexistem e de uma responsabilidade moral partilhada na transmissão do
património às futuras gerações, realizamos um exercício prático, em que, a propósito da
herança cultural e da salvaguarda de marcos de memória, descobrimos a importância do
diálogo entre valores e factos, entre ideais e interesses, entre autonomia e heteronomia. O certo
é que os valores, quando reconhecidos socialmente, adquirem um carácter de permanência,
tornam-se expressão da memória e do movimento, da tradição e da criação e aliam-se
às constantes e invariáveis axiológicas1 numa relação complexa em que o património e a
herança culturais se tornam fatores de liberdade, de responsabilidade, de emancipação, de
respeito mútuo e de afirmação da dignidade humana. Uma obra de arte, uma catedral ou
uma choupana tradicional, um conto popular, as danças e os cantares, a língua e os dialetos,
as obras dos artesãos, a culinária ancestral – eis-nos perante expressões de valores que
põem em contacto a História e a existência individual, a razão e a emoção, que constituem a
matéria-prima de uma cultura de paz
Fonte:

Guilherme d'Oliveira Martins, Património Cultural - Realidade Viva, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2020, pp. 7-9.

Notas:

¹ axiológicas - que dizem respeito à axiologia ou à filosofia dos valores.

Questão:
No contexto em que ocorre, o recurso à expressão «[d]as primeiras» (linha 7) contribui para a coesão
Fonte: Exame Português - 2022, Época Especial
|
(A) lexical por reiteração.
(B) gramatical frásica.
(C) lexical por substituição por hiponímia.
(D) gramatical referencial.


Comentários

Neste momento, não há comentários para este exercício.

Para comentar, por favor inicia sessão ou cria uma conta.