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Dificuldade: média
Olhar o céu numa noite escura, longe de cidades e regiões densamente povoadas, revela
um manto escuro densamente estrelado ao qual é difícil ficar indiferente — até um robô deve ficar
fascinado. Um espetáculo de uma simplicidade profunda, mas que cada vez menos pessoas
têm a oportunidade de ver, pelos mais variados motivos. Sobretudo em Portugal, um dos países
do mundo com maior poluição luminosa, que se tem vindo a acentuar cada vez mais.
Nos centros urbanos, e nos subúrbios, é hoje praticamente impossível vermos a nossa
própria casa celeste, a Via Láctea. Isso leva a algo estranho e paradoxal. O progresso por
vezes frenético da ciência e do conhecimento em geral leva-nos hoje à ideia mais nítida de
sempre sobre de onde viemos, como chegámos aqui, e do nosso lugar no Universo. No entanto,
nunca tantas e tantos de nós estiveram tão distantes de conseguir olhar e ver o céu na sua
plenitude. O céu, de onde viemos, para onde tudo o que nos compõe acabará por voltar, ainda
que faltem milhares de milhões de anos. Olhar o céu é apontar em direção às nossas origens
cósmicas, mas nunca tantos de nós irão viver sem ver o céu plenamente estrelado durante
tantas noites ao longo das suas vidas. Nunca tantos de nós dirigiram o olhar maioritariamente
para baixo. Um olhar focado em pequenos ecrãs que operamos com as nossas mãos e que
nos tornam por vezes cada vez mais isolados. Num mundo que é cada vez mais global, mas
por vezes tão conectadamente desconectado.
A nossa viagem em busca das nossas origens, olhando ou não o céu, parece ter começado
muito, muito cedo. Desde então, descobrimos que não somos nem estamos de todo no centro
do mundo, do Universo. O Universo é de tal forma imenso que, em comparação, somos
total e completamente insignificantes, espacial e temporalmente. Somos total e brutalmente
insignificantes.
Surpreendentemente, ainda nos socorremos de argumentos falsos mas convenientes.
Coisas que nos dizem que, afinal, somos mesmo muito importantes. Potencialmente eternos,
especiais. O céu, na sua beleza e grandiosidade, mas sobretudo na sua capacidade para
nos manter humildes e individualmente irrelevantes, é ainda a melhor ferramenta para nos
apercebermos do quão ligados estamos. Estamos ligados uns aos outros, ao nosso planeta,
ao sistema solar, à nossa galáxia. Paradoxalmente, olhar o céu e estudar o Universo é uma
das formas mais profundas e eficazes de nos valorizarmos humanamente no contexto da vida
na Terra. Um planeta único, belo, frágil. Tudo, sem inflamar demasiado o ego e sem termos a
mania de que somos demasiado bons.
Fonte:

David Sobral, Qual É o Nosso Lugar no Universo?, Lisboa, Planeta, 2022, pp. 21-22.

Questão:
A única expressão em que estão presentes exemplos dos três tipos de dêixis (temporal, espacial e pessoal) é
Fonte: Exame Português - 2023, 1ª Fase
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(A) «leva-nos hoje à ideia mais nítida de sempre sobre de onde vimos, como chegámos aqui» (linhas 8 e 9).
(B) «Olhar o céu é apontar em direção às nossas origens cósmicas» (linhas 12 e 13).
(C) «A nossa viagem em busca das nossas origens, olhando ou não o céu, parece ter começado muito, muito cedo» (linhas 18 e 19).
(D) «somos total e completamente insignificantes, espacial e temporalmente» (linhas 20 e 21).


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