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Dificuldade: média
«Imagina que estás no mar, deitado/a no convés de um barco à vela. Sopra uma
brisa morna. O barco balança, mas muito suavemente. Ouves o som das gaivotas que
atravessam o céu e, de vez em quando, alguns salpicos de espuma vêm temperar os
teus braços.»
Conseguiste imaginar? Se sim, conseguiste viver e sentir o que estava escrito. Saíste
do aqui e do agora. Imaginaste.
Então, talvez possamos tirar já algumas conclusões: quando imaginamos, a nossa
atitude é a de simular qualquer coisa dentro de nós. Para tal, vamos buscar elementos
da realidade que conhecemos e estabelecemos uma espécie de pacto connosco
próprios: eu imagino porque quero e, enquanto imagino, o mundo lá fora fica suspenso
(por exemplo, eu sei que não me vou mesmo molhar com aqueles salpicos, mas agora
acredito que sim).
O filósofo grego Aristóteles concluiu que a imaginação (ou fantasia, como lhe chamava)
pertencia a uma categoria diferente das sensações e dos pensamentos, uma espécie de
reino à parte – talvez seja este mesmo reino que visitaste no tal passeio de barco.
Mas regressemos ao barco: e se, sem te dizermos mais nada, fosses tu a continuar
esta história, por exemplo, fazendo um tubarão furar as tábuas do convés? Isso ainda
seria imaginação?
E se te pedíssemos para, usando os materiais disponíveis no barco, consertares os
danos causados pela passagem do tubarão? Isso ainda seria imaginação?
E se, depois deste episódio, te sentasses a pensar sobre a vida e a morte?
E se fizesses uma peça de teatro a partir disso?
Então talvez a imaginação tenha vários braços, que nos permitem chegar a diferentes
lugares.
David Hume, um filósofo escocês do século XVIII, afirmou que nunca somos tão
livres como quando imaginamos e acrescentou até que «nada do que imaginamos é
absolutamente impossível».
Porém, não podemos deixar de pensar (como pensaram muitos filósofos) que existe
aqui uma espécie de contradição: por um lado, a imaginação parece infinita, no sentido
em que podemos imaginar aquilo que queremos; por outro lado, há sempre limites: as
nossas experiências, o que temos à disposição, no fundo, nós próprios. Por exemplo,
imagina que pedíamos a alguém que nunca viu o mar que imaginasse a cena do barco
de há pouco. Seria difícil.
Fonte:

Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Como Ver Coisas Invisíveis, Carcavelos, Planeta Tangerina, 2021, pp. 43-46. (Texto adaptado)

Questão:
Seleciona a locução conjuncional adequada para completares a seguinte transformação da passagem
das linhas 29 a 31, mantendo o sentido do texto.
Escreve, no círculo, a letra correspondente à locução conjuncional selecionada.
A imaginação pareça infinita, há algumas limitações.
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2023, Época Especial
A A fim de que
B Assim que
C Ainda que
D A não ser que


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