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Dificuldade: média
Um dia, imaginei que não havia uma parede. Fui contra ela a correr. E esmurrei
a cara. Uma noite, imaginei um casacão felpudo com asas. Meti-me dentro dele. Apertei
os botões. Puxei o cobertor. E tive um sonho cheio de aventuras.
Há coisas que existem mesmo, independentemente do que delas imaginamos. E há
coisas que são apenas fruto da imaginação. Da nossa imaginação ou da imaginação
de outros, que nos querem fazer acreditar que elas existem, quando não existem. Olha
o papão!
É por isso que não faz mal nenhum que a gente se habitue a pensar. Ouvindo os
outros. Conversando com eles. Olhando à volta com olhos de ver. Indo à descoberta de
como é que as coisas são e de como é que funcionam. De como é que nós vamos sendo,
e de como é que funcionamos.
É importante aprendermos a distinguir entre aquilo que existe mesmo e aquilo que
apenas vive na fantasia (ainda que, imaginado, o possamos sentir como se ele estivesse
ali à mão). Se não existir uma ponte, se apenas houver ponte porque eu imagino que há,
e eu quiser atravessar o rio, caio à água. Mas, para haver ponte, foi preciso que alguém
imaginasse como ela haveria de ser. E foi preciso que alguém a fizesse, para que eu por
ela possa atravessar.
A imaginação transporta-nos para lá daquilo que existe. O que é muito bom. Traz-nos
coisas patuscas. Peras com bigodes de alforreca, e sapatos com alcachofras na sola.
Alarga-nos o campo do que está à nossa disposição para inventar brincadeiras. Ajuda a
perceber que as coisas, afinal, também podem ser de outros modos.
Mas, para que as coisas venham a ser de outra maneira, na nossa vida e na de
todos, não basta a força de imaginar. É preciso trabalho. Junto com outros. Entendendo
a resistência que as coisas oferecem. Experimentando como usá-las. Descobrindo como
as podemos organizar. E aquilo que com elas é possível, e não é possível, fazer. Sempre,
ou, pelo menos, por agora.
Fonte:

José Barata-Moura, «Será que tudo o que nos rodeia existe mesmo ou é só fruto da nossa imaginação?», Trocado por Miúdos, Porto, Porto Editora, 2014, pp. 25-26.

Questão:
Na frase das linhas 20 e 21, para exprimir as alternativas que a imaginação proporciona, o autor antecede a palavra «modos» de um determinante
Fonte: Exame Português 3º Ciclo - 2023, 2ª Fase
(A) artigo indefinido.
(B) indefinido.
(C) relativo.
(D) demonstrativo.


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