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Dificuldade: fácil
Em 1980, num episódio da série Cosmos, Carl Sagan referiu que existem mais estrelas
no universo do que grãos de areia em todas as praias do mundo. Essa afirmação tem sido
muito debatida, e ainda não existe um veredicto final sobre a sua veracidade, em grande parte
porque qualquer dos dois números é muito difícil de estimar. Diversas estimativas indicam que
cada um destes números poderá ser da ordem de dez mil triliões.
Curiosamente, dez mil triliões é também uma estimativa razoável para o número de bits de
informação que são adicionados, em cada ano, às bases de dados do mundo inteiro, gerados
pelos milhares de milhões de utilizadores da Internet, quando acedem à Web, quando fazem
uma compra, quando tiram uma fotografia, quando se deslocam de um local para outro ou
quando fazem uma chamada telefónica.
Lamentavelmente, estamos a afogar-nos em informação, mas à míngua de conhecimento,
para usar as palavras de John Naisbitt. Com tantos dados, seria de esperar que as
decisões políticas e económicas, tomadas pelas empresas, sociedades e estados, fossem
progressivamente mais e mais bem informadas. Porém, isso parece não estar a acontecer.
Num mundo que atribui cada vez mais importância aos dados, a sua utilização como
evidência para a tomada de decisão parece ser, paradoxalmente, cada vez mais rara. Embora
algumas decisões tomadas ao nível do urbanismo, dos transportes, das políticas fiscais ou
dos estímulos económicos sejam efetivamente tomadas com base em dados objetivos ou
em cenários macroeconómicos verosímeis, a verdade é que muitas outras decisões, políticas
e económicas, são tomadas de uma maneira pouco informada, muitas vezes com base em
emoções, ideologias, opiniões ou crenças.
Segundo Hans Rosling, não é só a ignorância que nos leva a tomar opções desinformadas e,
muitas vezes, erradas. Pelo contrário, muitas vezes somos enganados pelos nossos instintos.
Ao longo de milhões de anos, a evolução criou em nós comportamentos e respostas específicas,
que eram úteis no ambiente primitivo em que viviam os nossos antepassados, mas que, agora,
nos levam a decisões precipitadas, irracionais e, em muitos casos, profundamente erradas.
Em parte, isto é causado porque a informação que nos chega foi concebida não para nos
informar, mas sim para nos chocar, assustar ou impressionar. Numa sociedade em que cada
consumidor escolhe os jornais que lê, os canais que vê e as rádios que ouve, existe uma enorme
pressão para noticiar os factos da forma mais dramática possível. Isso cria imediatamente um
grande enviesamento a favor das notícias bombásticas, dos desastres, das catástrofes e das
guerras. As boas notícias raramente são noticiadas, porque não chamam tanto a atenção.
Uma pessoa que morre por não ter chegado ao hospital a tempo recebe mais atenção do que
os milhares de pessoas que são rotineiramente salvas em cada dia.
É por isso que o comportamento racional, de indivíduos e sociedades, exige a cada um de
nós uma disciplina mental, disciplina essa que, lamentavelmente, muitas vezes não temos.
Fonte:

Arlindo Oliveira, «Bits, estrelas e grãos de areia», in Público, 5 de agosto de 2019, p. 6. (Texto adaptado)

Questão:
Complete as afirmações abaixo apresentadas, selecionando a opção adequada a cada espaço.
Na folha de respostas, registe apenas as letras – a), b) e c) – e, para cada uma delas, o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.
Do étimo latino ARENA derivaram as palavras portuguesas arena e areia. Do mesmo étimo derivaram também as palavras ______ a) ______. Na evolução de ARENA para areia, ocorreu, entre outros processos fonológicos, a ______ b) ______. Por seu lado, na evolução de STELLA para estrela ocorreu, entre outros processos fonológicos, a ______ c) ______.
a)
1. areinho e ária
2. ariana e arenito
3. arenoso e arear
b)
1. apócope
2. síncope
3. crase
c)
1. sonorização
2. metátese
3. prótese
Fonte: Exame Português - 2020, 1ª Fase
Associa as colunas de forma correta:
a)
b)
c)


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